Grandes supermercados franceses são proibidos de jogar alimentos fora

A França está apertando o cerco contra o desperdício de comida com uma nova lei que proíbe que grandes supermercados destruam alimentos não vendidos sob ameaça de multas e até mesmos prisões.

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Produtos em supermercado da rede Carrefour em Brive-La-Gaillarde, na França. Foto: Regis Duvignau / Reuters

Sob uma lei aprovada na quinta-feira como parte de uma legislação mais ampla sobre energia e meio-ambiente, os supermercados com mais de 400 metros quadrados serão forçados a assinar contratos até julho de 2016 para doar alimentos não vendidos, mas ainda consumíveis, para caridade ou para uso como ração animal ou compostagem agrícola.

O não cumprimento prevê dois anos de prisão e multas de 75 mil euros.

A federação francesa de comércio e distribuição disse que é um erro mirar apenas grandes supermercados, que segundo eles representam apenas 5 por cento do desperdício total de alimentos.

Os franceses jogam fora 20 quilos de alimentos por pessoa por ano, custando estimados 12 bilhões a 20 bilhões de euros ao ano, segundo o Ministério do Meio-Ambiente da França.

A lei completa ainda precisa ser votada pela Câmara dos Deputados em 26 de maio antes de ir ao Senado francês.

(Por Emile Picy)

 

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Mais de 50% dos salgados recolhidos em pastelarias do Rio estão contaminados

Vigilância Sanitária revela que algumas amostras tinham bactéria que indica presença de fezes humanas

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Pastelarias foram fiscalizadas pela Vigilância Sanitária municipal – Adriana Lorete / Agência O Globo (18/04/2015)

RIO — Os primeiros resultados dos laudos sobre salgados recolhidos em pastelarias do Rio, denunciadas por irregularidades numa série de reportagens do GLOBO, inclusive trabalho escravo e uso de carne de cães como recheio, revelam que os estabelecimentos vistoriados têm péssimas práticas de higiene. Mais de 50% das amostras recolhidas — ao todo foram 103 produtos usados nas análises — estavam contaminadas. Entre as bactérias detectadas, os exames chamaram a atenção para a presença de grande quantidade de Escherichia coli, indicativa de contaminação por fezes humanas.

Os laudos da Vigilância Sanitária municipal, ligada à Secretaria municipal de Saúde, foram obtidos com exclusividade pelo jornal. De acordo com a secretaria, as análises preliminares são tão preocupantes que vão demandar outras ações de fiscalização nesses estabelecimentos. Durante as vistorias, já foram encontrados sinais de péssimas condições de higiene, com animais circulando entre alimentos em preparação, cozinhas sujas e lixo mal-acondicionado.

As análises estão sendo feitas no Laboratório Municipal de Controle de Produtos. De acordo com Eliane Maria Cardozo Miranda, coordenadora da unidade, a presença de coliformes fecais mostra que os funcionários das lanchonetes estão manipulando os alimentos com as suas mãos contaminadas.

— É um dado alarmante para toda a sociedade. Dentro do quadro de mais de 50% das amostas contaminadas, 12 laudos apontaram coliformes fecais provenientes da flora intestinal humana. Ingerindo alimentos contaminados pela Escherichia coli, as pessoas têm diarreia, náuseas e dores abdominais. É um retrato claro da falta de higiene dos comerciantes — diz ela, que trabalha há 35 anos na área.

FRITURA TAMBÉM DEFICIENTE

A informação chamou a atenção do coordenador da Câmara Técnica de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Cremerj, Celso Ferreira Ramos Filho. O infectologista, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), faz um alerta.

— Isso pode significar que os alimentos não estão sendo fritos de forma correta. Quando um alimento processado é cozido a 70 graus por dois minutos, as bactérias encontradas nos recheios são destruídas. É um resultado surpreendente e alarmante — afirma.

Outro resultado que chocou os técnicos foi a presença de uma bactéria — Staphilococcus aureus — típica de ferimentos com secreções e pus. De acordo com o superintendente da Vigilância Sanitária, Luiz Carlos Coutinho, esse micro-organismo é transmitido aos alimentos quando o cozinheiro os manipula com infecções nos olhos, no nariz, na boca ou na pele (em pontos como as mãos e os pulsos). Ao ingerir essa bactéria, o consumidor pode sofrer intoxicação alimentar.

Uma outra bactéria perigosa encontrada nos recheios reprovados foi a Bacillus cereus. É um tipo de micro-organismo que também causa intoxicação alimentar, com náuseas e vômitos. De acordo com a coordenadora do laboratório, a bactéria aparece em alimentos manipulados de forma inadequada e mantidos sob refrigeração insuficiente.

— Isso é muito comum também quando os salgados já estão expostos há horas na vitrine — diz ela. — O resultado dessas análises preliminares aponta um quadro grave no comércio alimentício carioca, além de demonstrar que o trabalho de fiscalização precisa ser diário e contínuo. A pessoa que se propõe a trabalhar com alimentos precisa saber que essas contaminações levam a diversos problemas de saúde. Esses comerciantes precisam passar por um treinamento antes de manipular alimentos. Algumas pastelarias interditadas tinham vasos sanitários, mas não tinham pias para os funcionários lavarem as mãos. A consequência disso está explícita no resultado das análises.

De acordo com a Vigilância Sanitária, que ainda aguarda o resultado dos exames em outras amostras recolhidas, a operação especial de fiscalização das pastelarias começou no dia 16 de abril e terminou neste domingo. Do total inspecionado, 15 estabelecimentos foram totalmente fechados. Outros 17 foram interditados por falta de higiene, tendo que se regularizar de acordo com determinações da Vigilância. Além disso, 36 foram intimados a fazer obras de melhorias estruturais.

Dos 63 estabelecimentos cujas amostras já têm o resultado laboratorial, 51 receberam da Vigilância Sanitária autos de infração por conservação inadequada de alimentos, venda de produtos impróprios para o consumo, deficiência na sua manipulação e falta de higiene. No total, foi descartada meia tonelada de alimentos — entre frango, carne de vaca, bacalhau, presunto e queijo, além de molhos.

Luiz Carlos Coutinho garantiu que as inspeções vão continuar. Ele pediu à população que colabore, denunciando as lanchonetes com problemas.

— Estaremos atentos às denúncias de consumidores que presenciarem alterações nos alimentos e condições inadequadas da higiene nos estabelecimentos. A Vigilância Sanitária orienta o cidadão a fazer a denúncia à central de teleatendimento 1746, para que equipes possam ir ao local verificar a situação e, caso sejam constatados problemas, aplicar as sanções previstas em lei, que vão de multas à interdição total do estabelecimento — disse Coutinho.

A origem da carne usada nos recheios dos salgados vendidos nas lanchonetes é uma das maiores preocupações do consumidor. Entretanto, a Vigilância Sanitária informou que, para se ter essa informação com segurança, análises laboratoriais não são suficientes: o processo exigiria técnicas complexas, como o exame de amostras de DNA.

BOM HUMOR CONTRA A DESCONFIANÇA

Para driblar a desconfiança dos consumidores, já há quem recorra à criatividade. É o caso de Iguassi Moraes, dono de uma pastelaria na Avenida Venezuela, na Zona Portuária. Quem passa em frente à sua lanchonete escuta latidos de cachorros. São dos bichos de estimação do comerciante, que gravou os animais em casa. Ao ser atraído pelo barulho, o pedestre logo vê um enorme aviso, desenhado na entrada: ali diz que o local só usa carne bovina em seus recheios e que cachorros devem ser amados e protegidos.

 

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Iguassi e o aviso em sua pastelaria: clientela cresceu depois de pintura garantir que salgado não leva carne de cachorro – Felipe Hanower / Agência O Globo

— Isso é uma satisfação para o público. É uma forma de dizer que não somos maus comerciantes, como aqueles que estão prejudicando o trabalho de pessoas corretas. Depois dessa brincadeira, já percebo um aumento na minha clientela — conta Iguassi, informando que também contratou um novo pasteleiro para melhorar o cardápio.

LAVAR AS MÃOS, UM DAS PRINCIPAIS MEDIDAS

De acordo com Lílian Assis, nutricionista da UFRJ, para evitar o quadro de contaminação encontrado pela Vigilância Sanitária nas pastelarias do Rio, é preciso que os comerciantes e cozinheiros tomem uma série de medidas — algumas, na verdade, bem simples, como lavar as mãos regularmente, antes, durante e após a preparação dos alimentos e o manuseio de objetos que estejam sujos.

— Em alguns estabelecimentos, foram encontrados animais. É preciso haver uma higienização criteriosa sempre que o comerciante tiver contato com animais e, principalmente, depois de utilizar o banheiro. Outra dica é evitar o contato entre alimentos crus e cozidos — diz.

A nutricionista também recomenda outros cuidados:

— A produção de alimentos sem contaminação depende de medidas técnicas que devem ser implementadas em toda a cadeia produtiva, inclusive no transporte e na estocagem.

 

Fonte: (O Globo) – http://oglobo.globo.com/rio/mais-de-50-dos-salgados-recolhidos-em-pastelarias-do-rio-estao-contaminados-16187514

 

 

Carrinhos de supermercado carregam bactérias perigosas à saúde.

Estudo mostra que contaminantes causam de diarreia à infecções graves.

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Mercados. Cuidados com higienização e armazenamento são Foto: Marcelo Piu

RIO – Passados de mão em mão, mal armazenados e raramente higienizados, os carrinhos de supermercados são verdadeiros depósitos de contaminantes, que podem causar males como diarreia, gripe, conjuntivite e até infecções mais graves. As conclusões são de um estudo que será apresentado nos congressos Latino-Americano e Brasileiro de Higienistas de Alimentos, que começam nesta terça-feira, em Búzios.

Embora poucos se deem conta disso, as consequências da contaminação podem ser graves. A engenheira de alimentos Leide Cerqueira ficou 55 dias internada e quatro meses de licença depois de sofrer um ferimento provocado por um carrinho de mercado:

— Uma pessoa bateu com ele no meu calcanhar esquerdo, o que provocou um corte que não parecia grave. Mas, 24 horas depois, minha perna já inchou.

Três dias depois, Leide não andava e foi internada. Ela foi infectada pelo Staphylococcus, que penetrou a corrente sanguínea, alojando-se no coração e causando uma endocardite bacteriana. Precisou passar por três cirurgias no pé e até hoje toma remédio para controlar sequelas cardíacas. Ela diz que, felizmente, apesar do ocorrido, segue vida normal.

— Sei que foi uma fatalidade, mas serve de alerta — afirma.

Não é apenas no caso de cortes que a infecção pode ocorrer, segundo uma das autoras do estudo, Maria de Deus dos Reis, responsável técnica do Laboratório de Microbiologia da Indeba, empresa de higienização.

— Uma pessoa saudável pode não ter problema. Mas aquelas com o sistema imunológico mais fraco, como crianças, idosos e doentes, podem ser prejudicadas — alerta Maria de Deus, que desaconselha que crianças se sentem na cesta dos carrinhos.

O estudo fez testes em dois grandes supermercados de Salvador em 2014. Quinzenalmente, foram coletadas amostras da alça, do cesto e do eixo de sustentação das rodas de dez carrinhos. Ao todo, 180 amostras foram analisadas. Todas estavam contaminadas com Staphylococcus aureus e mesófilos totais, e cerca de 80%, com Escherichia coli.

A pesquisadora diz, no entanto, que a solução é simples: basta limpar os carrinhos periodicamente. Pelas análises, a colonização de bactérias cai entre 70% e 100% com um detergente neutro.

— Não foi preciso um desinfetante potente, só um esfregaço e um jato d’água — afirma Maria de Deus, que complementa. — O estudo foi feito em Salvador, mas esse é um alerta nacional.

REGRAS DE HIGIENIZAÇÃO

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece regras de higienização de estrutura, equipamentos, móveis e utensílios de mercados, sem tratar especificamente de carrinhos e cestas. No Rio de Janeiro, o presidente da associação de supermercados do estado, Aylton Fornari, garante que a higienização dos carrinhos é diária:

— Talvez nem todos façam a limpeza diariamente, mas de maneira geral isso ocorre, sim. Após o fechamento do mercado, não só o carrinho, mas todas as dependências são higienizadas — afirma Fornari, acrescentando não haver registros de reclamações sobre o estado dos carrinhos de supermercados.

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Fonte (O Globo): http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/carrinhos-de-supermercado-carregam-bacterias-perigosas-saude-15993442#ixzz3ZBFrefyH